Archive for May, 2008

Crônicas da Fundação

Você é uma criatura complexa, Dors, e não tenho respostas simples para lhe oferecer. Na minha vida, conheci vários indivíduos em cuja presença sentia-me melhor comigo mesmo. Tentei comparar o prazer que sentira na presença dessas pessoas com a tristeza que senti quando elas finalmente se foram, para saber se o saldo tinha sido positivo ou negativo. Cheguei à conclusão de que o prazer de sua companhia superava de longe a tristeza de sua perda. Minha conclusão, portanto, é de que o que está experimentado agora fará bem a você.

Crônicas da Fundação, Isaac Asimov.

Agora só falta “A Fundação e a Terra”, vou completar a leitura da série antes de comentar. Por enquanto, fiquem com outra citação =D

Zone of the Enders

Como comentado a alguns posts atrás, comprei um PS2. E, assim, começou a busca por bons jogos.

Eu sempre li vários blogs de jogos, mas mais por curiosidade sobre do que necessidade de jogá-los. E a poucos dias, em um deles, comentaram sobre uma série produzida por Hideo Kojima, criador do Metal Gear Solid, chamada Zone of the Enders. Te colocar no controle de robôs gigantes, no espaço, com várias armas diferentes? Sonho de qualquer nerd que cresceu assistindo a Flashman e que adora EVA.

O jogo citado era o segundo da série, mas resolvi baixar começar pelo primeiro, para não estragar a história. Aliás, é por isso que ainda não comecei a jogar MGS, tenho que jogar o primeiro antes. Coloquei ele no videogame, comecei, e é bonitão, ainda mais para um jogo de 2001. A câmera é em terceira pessoa, logo atrás do robô Orbital Frame, e há liberdade completa de movimento, já que a maior parte do tempo você fica voando, e não no chão.

O jogo conta a história de Leo, um garoto que vê seus amigos serem mortos por um Orbital Frame dos invasores de sua colônia. Durante a sua fuga ele encontra um outro Orbital Frame, aparentemente abandonado, e durante uma explosão cai dentro da cabine do OF e é reconhecido como o piloto (ou Runner). A partir daí ele deve levar o OF para o movimento de resistência, apesar de contra sua vontade, e conviver com o dilema de matar outros seres humanos.

Ou seja, basicamente é a história padrão de todas as histórias de mechas. Mesmo que não seja revolucionária como EVA, a história flui bem. Depois de cinco horas e pouco de jogo, chego até o ponto de encontro para entregar o OF, e aparece Anubis, o OF gêmeo de Jehuty, OF que pilotei até o momento. E tomo um piau desgraçado, mas só resta fugir, porque Anubis é muito forte. Atlantis, a nave que levará Jehuty até Marte, auxilia e consigo escapar. E começam os créditos.

Não é a primeira vez que vejo os créditos aparecerem tão longe do começo do jogo, então acompanho-os. Até que a tela fica preta, sobem mais alguns e… o jogo reinicia. COMO ASSIM? Já é o fim do jogo? Tá certo que não é um RPG, mas menos de seis horas de jogo? E deixando um gancho desse tamanho?!? Como o jogo foi lançado junto com um demo de MGS:2, fiquei com a péssima impressão de que ele foi feito só para tapar o buraco do MGS:2, e se aproveitou disso para vender.

Mas, então, porque investir em uma história tão boa, para abandoná-la pela metade?

Paciência. Já estou baixando providenciando o segundo, e este parece ser um pouco mais longo. Felizmente, pelos vídeos no YouTube, a jogabilidade ainda é a mesma, e os gráficos estão ainda melhores.

Fundação

A linguagem foi, originalmente, o expediente por meio do qual o Homem aprendeu, imperfeitamente, a transmitir os pensamentos e emoções do seu espírito. Erigindo sons arbitrários e combinações de sons como representação de gradação de cores mentais, desenvolveu um método de comunicação, porém um método que, na sua inabilidade e pesada inadequação, fez degenerar toda a delicadeza do espírito numa transmissão grosseira e gutural de sinais.
Os resultados podem ser seguidos profundamente e todo o sofrimento que a humanidade conheceu pode ser avaliado apenas pelo fato de nenhum homem na história da Galáxia até Hari Seldon, e muito poucos homens depois dele, ter conseguido compreender realmente outro homem. Cada ser humano vivia atrás de uma parede impenetrável de névoa sufocante, dentro da qual ninguém mais existia senão ele. Havia, ocasionalmente, os sinais sumidos das profundidades da caverna em que o outro homem estava metido, de modo que cada um podia caminhar às apalpadelas na direção do outro. Contudo, por não se conhecerem uns aos outros, não poderem compreender-se uns aos outros, não ousarem confiar uns nos outros, e sentirem desde a infância os terrores e insegurança desse isolamento definitivo, havia o medo da perseguição do homem pelo homem, a rapacidade selvagem do homem para com o homem.

Isaac Asimov, Segunda Fundação.

Okami

Okami5 meses de silêncio. Não que eu tenha ido em retiro espiritual, ou que não tenha acontecido nada dos últimos meses (aconteceu muita coisa legal, com o tempo eu posto aqui), mas é que eu sempre esqueço de escrever =D

Mas hoje tem algo que vai quebrar meu silêncio. Na terça-feira chegou o PS2 que eu comprei de um bixo. Meu primeiro videogame! Sim, você leu corretamente, tive meu primeiro videogame com 22 anos!

Na verdade, tem uma história legal sobre isso: quando eu era pequeno a minha família foi visitar Foz do Iguaçu, e obviamente cruzamos a fronteira para ir até Ciudad del Este. Lá, a minha mãe me fez uma proposta: “O que tu prefere, um teclado musical ou um videogame?” . Como toda boa criança consciente de seu potencial, respondi “Videogame!”. E ela me deu um teclado. Que, aliás, está até hoje encostado lá em casa. Não que tenha me impedido de jogar, mais tarde eu ganhei um computador e daí não teve jeito (ah, adventures da LucasArts…). Mas digresso.

Hoje quero falar sobre um jogo chamado Okami.  Ele foi desenvolvido pelo Clover Studio para o PS2, e conta a história de Okami Amaterasu, um lobo que é a encarnação da deusa da mitologia japonesa Amaterasu, e sua luta contra o monstro Orochi. Toda a história do jogo segue a mitologia japonesa, e também a arte. Entre várias características marcantes uma das mais interessantes é o uso de Cel Shading, o que contribui muito para o impacto visual do jogo.

Mas, apesar de ser de um nível técnico impressionante (existem poucos jogos tão bonitos por aí, e isso no hardware do PS2, que nem é tão poderoso assim hoje em dia), o que me chamou a atenção mesmo foi a história. Muito bem escrita, com personagens cativantes e várias referências a outras mitologias e culturas, pode-se perceber que muito esforço foi dedicado ao roteiro, algo bem raro na indústria de videogames.

Para que? O Clover Studio sobreviveu durante dois anos, e foi fechado em 2006, porque não estava dando retorno financeiro. Por que as pessoas não gostaram de Okami, apesar de toda a aclamação da crítica?

O maior defeito, a meu ver, é o início do jogo. São quase 20 minutos fazendo a introdução da história, e isso para os consumidores ávidos por ação de hoje em dia é insuportável. E nem se tem a opção de pular a introdução. Eu entendo porque eles fizeram isso, porque realmente é importante para a história, mas o mundo não é muito paciente.

Azar de quem não tem paciência, perderam um dos jogos com a jogabilidade mais curiosa que já vi. Existem 13 Brush Gods no jogo, e cada um possibilita o uso de uma técnica diferente. Para aplicar essa técnica, você pára o jogo e aparece uma tela de pintura, e usa o controle analógico para desenhar na tela. Um risco horizontal faz um corte, dois riscos tornam o tempo mais lento, um símbolo de infinito gera fogo. É simplesmente genial, e torna o jogo extremamente divertido.

O final até dá certas esperanças de uma continuação, mas infelizmente o Clover foi fechado logo após o lançamento do jogo. Uma pena, mas fica a lição final dada pelo narrador ao término do jogo, que realmente mostra uma preocupação que deveria ser mais recorrente na indústria dos videogames.

Apesar do Clover ter fechado, a Capcom portou o jogo para Wii e lançou-o no dia 15 de abril, e com o Wiimote o uso dos poderes celestiais fica muito mais interessante, porque você realmente usa o controle como um pincel e desenha na tela, e não tem que usar o direcional analógico (que é meio complicadinho às vezes…).

Farewell, Okami!